| 9 de Setembro de 2011 09:53:12 |
Os processos de mudança em sistemas complexos eventualmente se consolidam sem que seus usuários ou destinatários se deem conta. No sistema de varejo, por exemplo, milhões de consumidores podem não estar percebendo o aumento na oferta de produtos orgânicos, embalagens recicláveis e alimentos de origem certificada.
O mesmo acontece nas gôndolas de produtos de limpeza, com a oferta de alternativas mais eficientes e menos agressivas ao ambiente.
O Centro de Excelência em Varejo da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, promove há quase uma década pesquisas que resultam em subsídios para o setor, acompanhando o desenvolvimento de uma nova mentalidade em termos de responsabilidade social e ambiental.
Paralelamente, as preocupações sociais induzem a novas abordagens de venda, gerando interesse no conhecimento de consumidores incluídos recentemente ao mercado em função do fenômeno da mobilidade social.
Tem esse sentido, por exemplo, o seminário sobre Varejo Sustentável e a Base da Pirâmide, marcado para o dia 6 de outubro. Desde 2005, o setor tem à sua disposição os Indicadores de Responsabilidade Social, elaborados em parceria com o Instituto Ethos, que permite às empresas fazer o auto-diagnóstico do impacto socioambiental de suas atividades.
Esse pano de fundo não é conhecido do consumidor final, mas ao entrar em qualquer supermercado ele pode perceber que alguma coisa está mudando.
A oferta de produtos diferenciados chama atenção inicialmente pelo preço, uma vez que, de maneira geral, tais alternativas ainda apresentam um custo mais elevado em relação aos produtos convencionais. Mas também existem ofertas de produtos certificados a preços competitivos, e a experimentação produz em médio prazo o efeito educativo.
Esse processo se desenvolve também no setor de construção civil. Desde o pioneirismo da construtora Takaoka, uma das vanguardistas na edificação com baixo impacto ambiental, que saiu na frente há dez anos com o Projeto Gênesis, a indústria vem aprimorando as técnicas de desenho e materiais, com imóveis que produzem menos resíduos no processo construtivo, reaproveitam a água, economizam energia, adaptam-se ao entorno com um mínimo de impacto ambiental e oferecem mais qualidade de moradia.
Seguindo a mesma trilha do comércio de alimentos e produtos de limpeza,o setor de materiais de construção começa a apresentar ao consumidor, no contato direto do varejo, alternativas mais corretas.
Mesmo quando não há um processo inovador envolvido, o consumidor pode notar que tem alternativas aos materiais tradicionais. Ao optar por lâmpadas mais econômicas, o cidadão adquire hábitos de consumo mais condizentes com a realidade contemporânea, não apenas apostando na redução do gasto com energia, mas aprendendo, pela comparação, as vantagens financeiras de optar pelo ambientalmente correto.
Seja pensando no dinheiro, seja pelo bem do planeta, o resultado será igual: quando os novos paradigmas chegam à ponta da cadeia de valores, sabe-se que a tendência veio para ficar.
Fonte: brasileconomico.com.br
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