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Setor calçadista quer padronizar o código de barras

6 de Outubro de 2011 14:03:57
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A área calçadista é um dos segmentos da economia brasileira em que a logística representa um papel fundamental. Uma questão importante e que ainda constitui um desafio é a criação de uma padronização dos códigos de barra dos produtos, unificando as informações da indústria e do varejo. O assessor de Soluções da GS1 Brasil, Marcelo Oliveira Sá, detalha que o calçado possui um “RG”, criado pela indústria. Porém, o mesmo calçado na loja recebe outra identidade, atribuída pelo varejo. Cada loja pode escolher o seu código e isso dificulta muito o trabalho.

 

Entretanto, é possível que o varejista acolha o RG da indústria, evitando a necessidade de reetiquetar o produto. “A maior quantidade de erros acontece hoje porque o mundo físico não está alinhado com o virtual, o dos documentos, da nota fiscal”, explica o gerente de suprimentos e logística da Bibi Calçados e coordenador do Comitê Administrativo do Grupo de Otimização Logística do Setor de Calçados e Acessórios (GOL), Rosnaldo Inácio da Silva. Ele lembra que ao colocar o sapato fabricado na caixa, o produto recebe um código de barras. O dirigente defende que, depois disso, todo o controle deve ocorrer a partir dessa etiqueta e não de novas identificações.

 

Para qualificar esse processo, é que foi criado o GOL. Tendo começado os trabalhos em 2002, como consequência do desenvolvimento de um projeto-piloto bem-sucedido realizado pela Calçados Azaléia, com apoio da GS1 Brasil, a meta da iniciativa agora é ampliar suas ações e alcançar os varejistas. A GS1 Brasil é uma organização multissetorial, sem fins lucrativos, cujo objetivo é disseminar o padrão GS1 na identificação, codificação e soluções para aumentar a eficiência da cadeia de suprimentos.

 

Já o GOL visa a desenvolver padrões para a utilização de ferramentas de gerenciamento para esse segmento, envolvendo as tecnologias de captura automática de dados e comércio eletrônico. Permitindo assim a integração colaborativa de maneira mais eficiente entre os participantes da indústria calçadista, nos aspectos logísticos e comerciais. Fazem parte da iniciativa empresas fabricantes de calçados, fornecedores de componentes para sapatos, transportadoras e lojistas. O presidente da GS1 Brasil, João Carlos de Oliveira, afirma que dentro do setor calçadista existe um procedimento evoluído em relação aos fornecedores, com componentes identificados com padrões para reduzir a falta de produtos, erros ou retrabalho. Ele diz que a busca no momento é a aproximação da indústria com o varejo para utilizar esse modelo e ganhar produtividade.

 

O dirigente salienta que o Rio Grande do Sul é um dos maiores interessados nessa questão. Para concretizar esse cenário, um dos principais mecanismos é o GOL. Silva conta que a iniciativa é composta por um conjunto de profissionais cedidos pela indústria calçadista, que atuam na área de logística promovendo a disseminação de uma tecnologia de padrões. O coordenador do comitê administrativo da iniciativa lembra que a empresa que se interessar pela solução pode entrar no site do GOL (www.gol.org.br), preencher um termo de adesão e receber as informações necessárias para se adequar ao modelo desenvolvido, customizando o seu sistema de informática. A partir daí, poderá trafegar dados dentro de um padrão setorial.

 

O dirigente ressalta que a medida agiliza o processo logístico das companhias. “Por exemplo, se há um caminhão para ser descarregado, com mercadorias que não estão identificadas dentro de um padrão, ele pode levar de duas a quatro horas para finalizar a tarefa e a mercadoria ser conferida”, diz Silva. No entanto, acrescenta ele, se a carga estiver identificada e for possível usar a tecnologia de códigos de barras e scanners eletrônicos para fazer a conferência, esse tempo pode ser reduzido para cerca de 30 minutos. “O que falta é um pouco de compreensão sobre essa abordagem, que ainda é nova no Brasil”, argumenta Silva. Ele revela que, recentemente, o governo do Estado manifestou interesse em conhecer mais o trabalho desenvolvido pelo GOL, pois o executivo pretende melhorar a competitividade do setor calçadista gaúcho. Silva acredita que o governo gaúcho pode se tornar um parceiro nessa iniciativa. Ele lembra ainda que há um projeto na Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) buscando o financiamento dessa tecnologia. O objetivo é construir um portal, no qual se possa distribuir a ferramenta para as pequenas indústrias, sem custos, para a customização do sistema de informática. Silva defende que a padronização precisa começar desde o fornecedor da indústria e chegar até o consumidor, através do varejo. Para que essa meta seja alcançada, o grupo conta com o apoio da Associação Brasileira de Lojistas de Artefatos e Calçados (Ablac). 

 

Sistema melhora a operação do varejo

 

A adoção de uma identificação padronizada nos produtos do setor calçadista vai possibilitar uma maior agilidade da cadeia. Além disso, argumenta o gerente de tecnologia da informação (TI) da Via Marte e coordenador do Comitê de Tecnologia do GOL, Ivair Kautzmann, tornará o varejo mais dinâmico, cada vez comprando em menor volume e em maior frequência. Kautzmann recorda que a intenção no início do projeto GOL era tratar três pontos principais: a identificação do produto através de um modelo único de etiquetagem, a troca eletrônica de informações e a melhoria do processo das empresas.

 

Para a identificação, foi adotado o código de barras e o sistema, na época, Ean Brasil, atualmente GS1. Ele explica que, basicamente, é a mesma solução que se encontra nos supermercados. “Você entra nesses estabelecimentos, pega uma garrafa de água mineral e ela tem um código de barras que não foi necessário reetiquetar”, destaca Kautzmann. O executivo salienta que é fundamental que haja precisão no fluxo físico da mercadoria para a estratégia ter êxito. “Confiar na informação e no casamento dos mundos físico e virtual acelera a cadeia e diminui custos”, afirma o gerente de TI. Ele enfatiza ainda que com a medida há uma precisão maior do trabalho, um uso menor do espaço de estoque e um frete mais eficiente, tendo como consequência a redução de gastos.

 

Kautzmann explica que, atualmente, muitas redes varejistas solicitam à indústria a imposição de etiquetas (código de barras) próprias e não padronizadas. Para atender a essa demanda, a fábrica precisa parar o processo de produção e colocá-las. Essa ação aumenta também o risco de erros. “Imagine se a mercadoria não embarca em um caminhão porque atrasaram as etiquetas específicas do cliente”, adverte Kautzmann. Ele ressalta que essa situação causaria um enorme prejuízo, se acontecesse às vésperas de datas importantes para o comércio como, por exemplo, o Dia dos Namorados.

 

Por isso, o dirigente do GOL é um defensor de um modelo padronizado, necessário para ganhar escala, implicando benefício mútuo para fornecedores, indústria e varejo. No caso da Via Marte, a empresa trabalha com a padronização com as redes varejistas Di Santinni, Paquetá e em breve o mesmo deve ocorrer com a Passarela Calçados e a Humanitarian Calçados.

 

Entidades de classe apoiam a iniciativa

A GS1, Ablac, Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) assinaram neste ano um termo de cooperação que propõe um processo permanente de melhoria de toda a cadeia produtiva para ampliar parcerias como a realizada entre a Grendene e a Di Santinni. “Queremos maximizar a produtividade do segmento calçadista, desde os fabricantes dos componentes até o varejo”, reitera o presidente da GS1 Brasil, João Carlos de Oliveira.

 

O dirigente ressalta que espera uma mudança de mentalidade no setor e acrescenta que não são necessários grandes investimentos em equipamentos ou softwares para adotar a padronização de informações. Além da área calçadista, adianta Oliveira, os próximos passos deverão envolver campos como o de franquias, bares, restaurantes e hotéis. Para os calçadistas, o dirigente lembra que a informação mais precisa permitirá ao varejo fazer o levantamento de quais produtos têm mais saída e possibilitará reabastecer mais rapidamente os estoques com os artigos que estão faltando.

 

O assessor de Soluções da GS1 Brasil, Marcelo Oliveira Sá, acrescenta que a padronização e a troca de mensagens eletrônicas facilita também a entrega de matérias-primas para a indústria. Ele cita como exemplo o abastecimento de couro. O fornecedor envia o material identificado, com um código de barras, contendo várias informações utilizadas pela indústria, como lote, tamanho, entre outras. Isso melhora o controle do processo das empresas. Além disso, são enviados, eletronicamente, dados logísticos, como horário da remessa do carregamento, volume, itens etc.

 

Sá destaca que a adoção do padrão deve envolver um grande conjunto de agentes. Ele acredita que cada vez mais empresas do setor calçadista empregarão a padronização no futuro.

 

Grendene e Di Santinni uniformizaram codificação

 

A Grendene e a Di Santinni são empresas que adotaram a identificação uniformizada para aprimorar o fornecimento de produtos. Dados dos calçados como modelo, tamanho e cor podem ser obtidos através do GTIN (Global Trade Item Number). Essas ferramentas são estruturas numéricas padronizadas internacionalmente e licenciadas pela GS1.

 

A gerente de sistemas da Di Santinni, Ayra Cristina Michi, detalha que a parceria entre as companhias consiste em implantar um fluxo de informações automatizado que permita o reconhecimento dos artigos para ambos os lados por meio de um código único, em caráter-piloto, que se estenderia para demais fornecedores.

 

Por ser um código único, de padrão mundial, o GTIN viabiliza a identificação de qualquer produto no nível de detalhe que o fabricante registrar. Dessa forma, através da leitura de um único código, é possível reconhecer o item ao longo de toda sua vida desde a fábrica, passando pelos depósitos, até a loja. Hoje, a maioria dos varejistas utiliza um código proprietário para identificar o artigo, ou seja, o fabricante etiqueta o produto com seu código interno e no final do processo cola outra etiqueta com o código utilizado por cada varejista, atrapalhando seu processo fabril. Em outras situações o próprio varejista é obrigado a rotular a mercadoria com seu código.

 

Com a utilização do GTIN, a expectativa é de uma redução de custo e de tempo de processamento da mercadoria, afirma Ayra. “Quando o processo com a Grendene estiver bem definido, vamos aplicar as mesmas rotinas e procedimentos com os demais fornecedores”, revela a gerente de sistemas. Ayra acrescenta que a Di Santinni está investindo em tecnologia da informação buscando a otimização de seus processos e implantando novos procedimentos em conjunto com ferramentas que reduzam o tempo e custo de processamento de suas operações, com aumento do nível de controle e de qualidade.

 

Selo distingue as companhias que aderiram ao padrão GS1

 

Os fornecedores, indústria calçadista e varejo que utilizam os padrões do Sistema GS1 para a integração de sua cadeia de suprimentos podem ser identificados com o Selo GOL. Essa distinção poderá ser utilizada por qualquer empresa da cadeia coureiro-calçadista, desde que essa tenha laudo de conformidade com o padrão do Sistema GS1, emitido pela GS1 Brasil, implantado com um ou mais parceiros comerciais e com índices de eficiência de serviço acima de 90%.

 

A supervisora de Relacionamento com o Cliente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha (ACI-NH/CB/EV), Maria Lúcia Chaves de Almeida, considera o selo um diferencial competitivo. “A automação e a integração de sistemas é um caminho sem volta”, defende ela. Maria Lúcia relata que através do GOL as indústrias reuniram-se para definir as suas mensagens eletrônicas.

 

Antes, cada uma tinha uma forma para se comunicar. “Imagina ter um arquivo para falar com o fornecedor A e outro para falar com o B”, frisa ela. De acordo com a supervisora, a difusão da nota fiscal eletrônica também despertou mais interesse quanto ao GOL. “Hoje, tudo está migrando para a ação eletrônica”, conclui.

 

Fonte: Jornal do Comércio






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